terça-feira, 9 de outubro de 2012

Deveríamos

   Quase sempre nós esperamos por eventos magníficos, situações maravilhosas que ocorrerão num piscar de olhos. É inevitável. É típico nosso. E, na maioria das vezes, somos surpreendidos por ações pequenas. Imperceptíveis nessa nossa mania de grandeza.
        Talvez esteja aí a razão do sucesso de uns e da inércia de outros. Nossa maneira de ver o mundo explica, beneficamente ou catastroficamente, nosso modo de vida.
        Tudo isso porque me fizeram uma pergunta. Hoje. Interrogação esta que ecoou o dia inteiro. Harmonicamente. Com muita força. Vi toda uma vida gravada naquela simples e casual pergunta. Alguns diriam. Inconveniente. Uns. Pertinente. Outros. Notório.
        Quem fez a pergunta não se preocupou com os efeitos ali produzidos. De forma natural. Ignorando os protocolos. Bem brasileiro. Tipicamente carioca. Somente uma criança faria a mesma indagação. Com a mesma sinceridade.
         A questão não foi a pergunta em si. E sim a resposta. Não a que foi dada. E sim a que poderia ser dada. Não respondi nada. Silenciei-me. Prudentemente. Responderam por mim. Singelamente. O mais comedido possível. Não esperei mais que isso. Não podia esperar.
     Nem sempre acordamos para os milagres do dia. As sementes de mostarda que nos são creditadas a cada manhã. Ousamos plantar. Talvez por causa da demora em colher. Coragem. Que mesmo em face do maior encanto. Responde com autoridade quando solicitado.
         Pode ser que eu seja lembrado pelo que fiz. Ou pelo que eu não fiz. Responsabilizo-me. Talvez eu tenha memória demais. Pensei o tempo todo na resposta. Que eu queria falar. Mas não falei. Um simples futuro do pretérito. Presente. Vindouro. Deveríamos.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

domingo, 30 de setembro de 2012

É


O sorriso da mulher
É tudo que ele mais quer
Depois de uma noite em pé
(muitas doses de café)

Ônibus passa não, né?
Perguntou ele com fé
No bar um jogo qualquer
Manchester – gol – Solskajer

Suportando seu chulé
Acenou pro velho Zé
(casa boa, chaminé)

Tinha fôlego até
com uma pedra, um mané
Matar seus sonhos, pois é

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Quase chorei

Quase chorei. Não foi de alegria. Nem de tristeza.

Quase chorei. No fim. O início.

Quase chorei. Nunca é fácil. Qualquer situação.

Quase chorei. Falta muita coisa na minha biblioteca. Na minha vida.

Quase chorei. Quem me conhece. Sabe.

Quase chorei. Não ligo. Não tenho nada a esconder.

Quase chorei. Olha só. Não estou falando de você.

Quase chorei. Aquela vontade danada.

Quase chorei. De dia. De noite.

Quase chorei. A vida tem suas questões. Impossibilidades.

Quase chorei. Indefinição mata.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Lembranças

Ando pela rua 
E sinto
Alguém me olhou,
Viro-me,
Procuro.
Dentro de mim,
Uma voz mansa
Sussurra seu nome
Não olhe para as árvores
Não finjas que não me conheces
Conversas com tuas amigas
Como se não prestasse atenção
Não finjas que nossos olhares se cruzaram
Que esses segundos duraram a eternidade.
Eu sei,
Teu corpo estremeceu como palmeiras ao vento
Não cubras o teu sonho com fios de cabelo
Lembranças.
Fingimento.
Eu.

domingo, 23 de setembro de 2012

Doce vida


A vida é igual rapadura
Em sua completa estrutura
Revela uma imensa doçura
Depois de cada amargura

A vida é igual poesia
Até parece maresia
Suave, brilhante, magia
Encanta, a todos vicia

sábado, 22 de setembro de 2012

Trajeto

Quero beijar sua mão
Tenho pouco tempo
Desejo seu cheiro
As águas nos fazem companhia

Estamos tão perto
E tão longe
Sua pele na minha pele
Panos impedem os sentidos

Tenho pouco tempo
Somos conhecidos, não íntimos
Por que só te conheci agora?
Será que me reconhecerás amanhã?
Lembrarás que sorristes pra mim?
Que balbuciamos palavras rotineiras?
Doce melodia das letras

Tenho pouco tempo
Tenho pouco tempo
Pra te amar
E te esquecer